Highlights Dança – Auf Wiedersehen
Post de despedida bem atrasado, mas válido, porque lendas não perdem a atualidade.
Pina Bausch (1940 – 01.07.2009)
Sabe aquela história de que o mérito do bailarino é camuflar a dor com a graça? Se o bailarino for Pina Bausch, pode esquecer. Sinceridade, obstinação e diversidade são palavras que a descrevem bem. Embuste, padronização e rigidez, não.
A alemã descobriu cedo sua vocação, e aos quinze anos foi estudar em Essen, com o coreógrafo Kurt Jooss. De lá partiu para Nova York: Julliard School e Metropolitan Opera. Foi onde aprendeu as rígidas regras da dança clássica e, com perfeição, a quebrá-las. Aos 33, Pina foi convidada a dirigir o Wuppertaler Tanztheater, em 1973. E foi nessa cidade alemã (Wuppertaler) que Pina revolucionou a dança moderna, misturando-a com o teatro por “ficar entediada com a falta de uma carga emocional”. No fim dos anos setenta a coreógrafa chocou o mundo rompendo com tradicionalismos e saindo do programa: renovando a sua já nova dança-teatro. A partir daí existe a dança antes e depois de Pina Bausch.
Suas peças são intensos jorros, nos quais os bailarinos correm, gritam, jogam-se contra a parede, se emocionam e dançam. A realidade de que necessita interfere também em seus cenários, que são de terra, flores, água, às vezes um muro caindo; porque Pina gosta de “ver a interferência desses elementos orgânicos no movimento”. Assim como as emoções, a diversidade delas também é ponto crucial para Bausch e sua companhia é formada por profissionais de todos os cantos do mundo. Da festa de seus 25 anos na Wuppertaler Tanztheater , em 1998, participaram outros bailarinos, como a companhia belga Rosas e Mikhail Baryshnikov, mas também grupos de hip hop e Caetano Veloso. O mesmo se repete em seus festivais culturais e nas trilhas sonoras de suas peças. Nestas ela já usou, além de Caetano, Tom Jobim e Vinicius de Morais. O Brasil também foi tema de peça, “Água”, de 2001. Tão adorada por tantos universos, Pina está sempre contato com o melhor deles. No cinema já participou de um Fellini: E La Nave Va (1983), e de um Almodóvar: Fale com Ela (2001).
Tendo deixado para o mundo peças como “Sagração da Primavera” (1975) e “Café Müller” (1978) entre incontáveis obras-primas, Pina Bausch deve ser mesmo referida no presente. A mulher que emancipou a linguagem da dança faz vivo seu legado. Enquanto ela não sofrer outra revolução, Pina continuará atual.

A Sagração da Primavera e Café Müller

Pina



[...] Seu nível de precisão já encantou bailarinas de outras vertentes, do porte de Carolyn Carlson e Pina Bausch. Pina já a convidou, inclusive, para participar de seu Wuppertal Festival (na Alemanha). La [...]
[...] também, por anos, em um estúdio em Hollywood. Ruth St. Denis pode, sem exagero, ser comparada a Pina Bausch, na dança [...]