He rocks!
Filho do surrealista chileno Roberto Matta e da artista americana Anne Clark, Gordon Matta-Clark era arquiteto formado pela Cornell University, mas foi “anarquiteto”, por auto-definição. Dissidente da land art, Matta-Clark foi interventor ativo da estrutura e da aparência da cidade onde vivia, Nova York, sobretudo a partir do final dos anos 1960 até a sua morte, em 1978.

Suas intervenções – muitas ilegais – em edifícios abandonados em regiões como SoHo e Nova Jersey tinham significados fortemente indigestos frente ao processo de “aburguesamento” arquitetônico de tais regiões, processo este que seguiria as demolições, antes edificações sobre as quais intervinha. Matta-Clark fez o mesmo em Paris, por exemplo no Les Halles, exatamente quando a região enriquecia. Sua maneira de fazê-lo: serrando uma edificação ao meio, com serra elétrica, abrindo uma fenda esférica em um prédio a ser demolido, uma meia-lua em um galpão; não é trabalho passível de exposição em galeria, o que é parte de sua arte/anarquitetura. Mas seus registros são. E ele é a estrela do show.

As fotos e vídeos de Gordon Matta-Clark estão agora em exposição no MAM de São Paulo, demonstrando seu processo, suas anotações, suas parcerias (especialmente com o grande parceiro David Zwirner). É impressionante ver o “menino atentado” (foi como minhas amigas e eu o definimos) em ação, quebrando tudo e botando pra quebrar, dando seu recado com a voz e o peso das ferramentas. Imperdível.

"Spliting", 1974

"Cronical Intersect", 1975

"Day's End", 1975
Até: 04 abr 2010
Sala: MAM – Grande Sala MAM
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