A pele e a política
Desde o fim dos anos oitenta (eles de novo) não se desfilavam tantas e tão preciosas peles quanto agora. As (mais ricas) it girls do momento não medem esforços na ostentação do high na mais nobre das versões do high low (pele + materiais simples). Anna Wintour e Carine Roitifeld já deram o grito de “Yes, We Can”, numa inversão de papeis no mínimo inusitada. O assunto já foi abordado em praticamente todas as Vogues do mundo e este mês, na nossa (em matéria de Bárbara Leão de Moura). Fato é que cada vez mais revistas estampam minks e martas em suas páginas, transmitindo (algumas mais, outras menos) subliminarmente a idéia de que a preocupação com quantos animais foram mortos para se fazer um casaco já está mais que passé.

Lauren Santo Domingo e Olivia Palermo: o novo jeito de usar pele
Em contrapartida, a moda tem sido um poderoso instrumento político para, entre outros temas, propagar o não uso de peles verdadeiras. Carla Bruni-Sarkozy fez seu manifesto público, seguido imediatamente por Michelle Obama (ops, “No, we can’t”, certo?) e a questão também foi comentada pelas revistas de moda em todo o mundo, inclusive pela Vogue Brasil deste mês (em matéria de Simone Esmanhotto).

Carla Bruni-Sarkozy e Michelle Obama: fur free
Seria esta uma guerra velada entre a despreocupação escapista das ditadoras (olha o paradoxo) de moda e a preocupação política das primeiras damas, que fazem o caminho inverso: sugerem pela roupa que vestem a postura em que acreditam? A seguir, cenas dos próximos capítulos.

Alessando Dell'Acqua inverno 2010
Números: para este casaco é necessário…

um tanto assim de martas.



deborah, obrigada por me citar.
uma pessoa me mandou um email se sentindo cruel por comer carne e usar couro e me perguntando qual a diferença entre isso e minks e afins.
entendo que pele é pior pq o bicho é criado preso (em muitos casos, caçados na vida selvagem) só pra satisfazer a vaidade primitiva feminina.
eu acho isso diferente de vc matar um bicho pra alimento e aproveitar 100% do que ele oferece.
a questão é como os bois são criados tbm. o confinamento é uma coisa cruel – isso de buscar a eficiência na produção.
eu pessoalmente acho que o certo é matar o mínimo possível, criar o bicho solto – como se fazia no passado.
a cultura do over e da crueldade é o mais horrível de tudo.
bjs
Oi Simone,
eu concordo com você quando você diz que horrível é a cultura do over. Acho que a moda passou do nível da expressão da personalidade para a ostentação de outros aspectos (de diferenciação social mesmo) e o uso da pele passa muito por aí. O sacrifício dos animais (especialmente em extinção) é de tal nível de egoísmo.
Se vamos matar animais, que pelo menos utilizemos os que existem em abundância e também tudo o que têm a oferecer. E se possível for (o que já é bem mais difícil), que sobrevivamos sem nos valermos deles. Enfim, o mundo todo do avesso…. rs
beijo
Deborah
Estou neste club de negóocio de atrações e faturamento em um esforço, denunciar-se a exclusão dos recursos naturais, por uma expuria ambição.
Curtir, amar, isto nos rende lucros impar, agradece o Criador e nos faz sobreviver em esparança..! http://bb.amorim.zip.net
[...] que aparecem nos desfiles mais importantes das coleções de inverno? A gente já falou sobre isso aqui, mas pra reforçar a opinião: que viagem [...]